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Nova espécie de mini sapo é descoberta no Brasil

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mini sapoPesquisador afirma que o anfíbio é vulnerável às mudanças climáticas e pode já estar ameaçado de extinção.Crédito: Luiz Fernando Ribeiro/Fundação Grupo Boticário

Uma nova espécie de sapo minúsculo foi descoberta na Serra do Quiriri, em Santa Catarina. Ela foi descrita nesta semana por meio da publicação de um artigo na revista científica PeerJ. Com cerca de um centímetro de tamanho, o Brachycephalus quiririensisvive apenas nessa região montanhosa e precisa de um ambiente frio e úmido. “Por conta dessas condições a espécie é bastante sensível às mudanças do clima e pode já estar ameaçada de extinção”, explica Márcio Pie, pesquisador associado do Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e um dos pesquisadores responsáveis pela descoberta.

Com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, a espécie foi descoberta durante um projeto apoiado por essa ONG. A pesquisa busca verificar a diversidade de espécies de anfíbios que vivem em montanhas, desde o sul de São Paulo até o norte catarinense. O estudo também prevê elencar todas as espécies já registradas nesse trecho e avaliar suas variabilidades genéticas.

Os anfíbios de forma geral (sapos, pererecas e rãs) são considerados bioindicadores, isto é, sentem com mais facilidade as alterações ambientais e, por isso, sua ausência indica que o ecossistema não está equilibrado.

De acordo com Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, pesquisas como essa vão ao encontro do objetivo da ONG de ampliar o conhecimento da biodiversidade brasileira. “Dessa forma é possível definir espécies e regiões que estão sob grave ameaça e agir prioritariamente para protegê-las”, destaca.

Gênero desprotegido

Segundo Luiz Fernando Ribeiro, pesquisador associado do Mater Natura e coautor da descoberta, poucas espécies do gênero Brachycephalus possuem proteção através de unidades de conservação, fazendo-se necessário criar novas áreas protegidas. “Essas espécies têm sofrido muito por conta de perda de habitat causado pelo homem”, ressalta Ribeiro.

Em Santa Catarina, onde o Brachycephalus quiririensis ocorre, a pressão à espécie é por conta das plantações de pinus – espécie exótica – e da pecuária. “Apesar de ser uma área de montanha, a criação de gado é forte ameaça a esse anfíbio tão vulnerável”, afirma o coordenador do projeto e professor da UFPR.

Características marcantes

Como as outras espécies do gênero, o Brachycephalus quiririensis mede pouco mais de um centímetro. O que o diferencia das outras é sua coloração: ela possui corpo marrom com tonalidade esverdeada e uma faixa grossa na cor laranja. “Ainda não temos confirmação, mas acreditamos que esse tom forte seja para indicar aos predadores que ela é venenosa e, assim, se proteger”, conclui Pie.

Sobre a Fundação Grupo Boticário: a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.439 projetos de 482 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis. Na internet: www.fundacaogrupoboticario.org.br, www.twitter.com/fund_boticario e www.facebook.com/fundacaogrupoboticario.

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