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Depois de sete anos de cuidados, pelo Instituto Mamirauá, peixe-boi amazônico é solto em vida livre

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Depois de cerca de sete anos de cuidados no Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária, o “Centrinho”, a peixe-boi Helena foi devolvida à vida livre em ambiente natural por pesquisadores e técnicos do Instituto Mamirauá e assistentes das comunidades locais. A soltura do animal foi realizada na quinta-feira, dia 13 de abril, na Reserva Amanã. E a expectativa é positiva, os pesquisadores esperam que Helena tenha se encontrado com outro peixe-boi reabilitado pelo Instituto e devolvido à natureza em 2015.

Em 2010, Helena chegou ao Centrinho, mantido pelo Instituto na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, território do município de Maraã (AM). Ela foi entregue por moradores da região que a encontraram ferida próxima à comunidade Santa Helena do Icé, localizada na costa do município de Tefé, no Amazonas. Os pesquisadores estimaram que Helena tinha cerca de três meses quando chegou ao centrinho. Antes da soltura, Helena pesava 90kg e media 1,70m.

“Ela teve uma melhora extraordinária. Chegou muito debilitada, ferida com uma flechada na mandíbula, que acabou comprometendo o nervo facial. Por isso, ela perdeu a visão de um olho, teve muita dificuldade até conseguir fechar completamente as narinas e principalmente a mastigação, dificuldade pra pegar a mamadeira e mordiscar as plantas. Digo extraordinária, porque, quando ela chegou, a gente não sabia se ia sobreviver, por causa desta dificuldade grande”, explica Miriam Marmontel, pesquisadora do Instituto Mamirauá – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Normalmente, os animais ficam cerca de dois anos em reabilitação, aos cuidados de uma equipe de técnicos, pesquisadores, veterinários e comunidade local. No caso de Helena, em função das sequelas dos ferimentos e do quadro de infecção, foi necessário um período mais longo de cuidados até que ela desenvolvesse as capacidades necessárias para vida livre.

“Nosso objetivo é manter dois anos, no máximo, que é o período de cuidado parental. É um exemplo de superação dela [Helena]. Uma enorme história de sucesso que ela tenha se recuperado disso tudo, somado ao apoio de tantos profissionais. O valor de conservação dela na natureza é infinitamente superior do que em cativeiro. Muitos estão saindo da natureza, sejam adultos caçados, sejam filhotes que ficaram órfãos ou ficaram enrolados em redes de pesca. Então, é uma prioridade do centrinho, reabilitar e soltar na natureza o mais rápido possível”, completa Miriam.

O local de soltura foi escolhido com cuidado pela equipe que cuidou de Helena. O animal foi solto no igarapé do Juá Grande, localizado na Reserva Mamirauá, unidade de conservação do Amazonas. Miriam destaca que a escolha foi em função da disponibilidade de vegetação para alimentação nesta época do ano, primeiro período de adaptação do peixe-boi na natureza, e porque a área foi o reduto escolhido por Japurá, outro peixe-boi solto pelo Instituto Mamirauá há dois anos. Os pesquisadores acreditam que os dois já possam ter se encontrado, desde a soltura. Pois os sinais de rastreamento estão indicando que os dois estão próximos um do outro.

Monitoramento

Antes da soltura, Helena foi pesada e medida e foi adaptado um cinto equipado com transmissor de sinais de rádio em sua cauda. O cinto emite um sinal que pode ser monitorado pelos pesquisadores em ambiente natural.

Este foi o quinto evento de soltura de peixes-boi reabilitados realizado pelo Instituto Mamirauá. Atualmente, cinco animais são monitorados pelos pesquisadores em vida livre. Com os dados do monitoramento, a equipe busca compreender o movimento dos animais na área, uso do Habitat, além de acompanhar o desempenho de adaptação dos indivíduos em vida livre, fora de cativeiro.

Durante o procedimento de soltura também foram coletadas amostras de fezes, para pesquisas relacionadas à dieta, hormônios sexuais e parasitas. Estas ações contam com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para o pagamento de bolsas.

 

Centrinho

O Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária foi criado pelo Instituto Mamirauá em 2008, e é um criatório conservacionista autorizado pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM). No entanto, o trabalho do Grupo de Pesquisa em Conservação de Mamíferos Aquáticos do Instituto existe há mais tempo. Há 15 anos, antes da criação do Centrinho, o Instituto Mamirauá realizou a primeira soltura de um peixe-boi reabilitado da Amazônia.

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